Curitiba / PR - sábado, 25 de outubro de 2014

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Pielonefrite

 

 

Pielonefrite Aguda

É uma infecção supurativa (com produção de pus). É quase sempre causada por bactérias e só raramente por vírus (tipo Polioma) ou fungos como Candida albicans.

 Epidemiologia

Afeta mais frequentemente três populações: bebês com menos de um ano e anomalias congênitas do sistema urinário; mulheres de meia idade e homens idosos com hiperplasia da próstata.

 Fisiopatologia

A pielonefrite é frequentemente causada por bactérias Gram-negativas que são flora normal no intestino. Estas bactérias (Escherichia coli, Enterobacter, Proteus Mirabillis, Klebsiella) causam as infecções do tracto urinário (ITUs), mais frequentes nas mulheres. As pielonefrites são quase sempre complicações decorrentes destas infecções da uretra, bexiga e/ou ureteros - denominada infecção ascendente. Normalmente os ureteres não recebem urina de volta da bexiga, devido a mecânismos anti-refluxo. Contudo se estes mecanismos devido a anomalias congénitas ou a inflamação não forem eficazes, o refluxo de urina pode transportar bactérias que infectem a bexiga ou a uretra para o rim. Outra condição que frequentemente leva à pielonefrite é a obstrução do ureter. A obstrução pode ser devida a litíase renal ("pedra dos rins") ou nos idosos do sexo masculino a hiperplasia benigna da próstata (uma condição quase universal a partir dos 70 anos) pode provocar suficiente obstrução também. Nessa situação, a estase da urina acima da obstrução permite o crescimento bacteriano, que normalmente seria impedido pelo fluxo constante. A cateterização de doentes acamados ou com outros problemas das vias urinárias também é um factor de risco.

 Clínica (sintomas)

O ínicio é abrupto, com dor na micção (disúria) e maior frequência e urgência, inclusivamente acordando o doente à noite (noctúria). Como em qualquer infecção, há febre, suores, mal-estar. São detectaveis leucócitos em massas cilíndricas na urina (piúria), devido a terem sido arrastados dos túbulos cilíndricos pela urina.

 Patologia

Microscópicamente observa-se inflamação supurativa, com infiltração primeiro de neutrófilos, mais tarde de macrofagos e linfócitos. Há necrose das células dos túbulos renais. Pode haver ou não formação de abcessos. Após resolução há extensa fibrosação das regiões afectadas.

 Tratamento

A resolução inicia-se após alguns dias de terapia com antibióticos. Infrequentemente, e principalmente em individuos debilitados ou diabéticos podem ocorrer complicações. Estas incluem a Bacteremia, multiplicação bacteriana no sangue grave, frequentemente pode ser mortal, ou a necrose da pelve renal, com insuficiência renal crônica, podendo levar a morte.

 Pielonefrite Crônica

A pielonefrite crônica é derivada de múltiplos ataques de pielonefrite aguda, que podem ser mais ou menos graves, e que ocorrem frequentemente durante um período alargado.

 Fisiopatologia

A causa mais frequente é a insuficiência dos mecânismos anti-refluxo, com refluxo de urina da bexiga para o rim. Outra causa frequente é a litíase renal, com cálculos obstrutivos do fluxo da urina.

 Clínica (sintomas)

O ínicio pode ser gradual ou dar-se ataque de pielonefrite aguda. Sintomas são semelhantes a esta última mas tendem a ser mais suaves mas mais arrastados. Pode complicar com surgimento de hipertensão arterial de causa renal; síndrome nefrótica; e insuficiência renal.

 Patologia

Macroscopicamente há atrofia do rim afectado. A pelve e os cálices ficam danificados e por vezes obstruem a passagem da urina. Com o microscópio, vê-se extensa fibrosação do rim, uma resposta provocada pelo sistema imunitário à infecção constante. Há atrofia de alguns túbulos, dilatação de outros, com conteúdo hialino devido à proteína retida.

 Tratamento

A pielonefrite crónica não raramente resulta em insuficiência renal crónica, com necessidade de diálise. A terapia com antibióticos resolve os episódios agudos mas não impede a sua recorrência.

 
  • Cistite Aguda e Crónica

A cistite é uma inflamação da bexiga frequentemente associada à infecção urinária e/ou às infecções genitais. Entidade frequente nas mulheres em idade fértil. A infecção ocorre por via ascendente pelo canal da uretra. Além disso, a possibilidade de ocorrência de cistite em mulheres deve-se às particularidades anatómicas do tracto urinário: uretra curta, proximidade entre a vagina, o ânus e a abertura da uretra, particularidades das camadas epiteliais do trígono da bexiga, da uretra, da vagina e também elevada incidência de infecções dos órgãos genitais. Estes factores criam condições favoráveis para a permanência e proliferação da microflora num dos órgãos do tracto urogenital e desenvolvimento de uma doença crónica.
   
A cistite aguda é uma doença muito comum na prática clínica. Normalmente, o seu diagnóstico não apresenta dificuldades. O tratamento inclui a administração de medicamentos antibacterianos e a observação de um regime que exclua comida picante e ácida. A laserterapia associada ao tratamento convencional tem um efeito terapêutico importante e regenerativo (não só sintomático) e pode ser iniciada a partir do momento do diagnóstico [V. P. Avdoshin, 2000].
       
A cistite crónica exige um tratamento mais prolongado que deverá compreender, além da terapia antibacteriana convencional, instilações de anti-sépticos na bexiga e a terapia com laser de baixa intensidade. O tratamento poderá ser repetido separadamente (sem associação a outras terapias) 10 dias depois do primeiro tratamento. A eficácia da laserterapia é avaliada de acordo com a evolução, o estado geral do paciente e pelos exames clínico-laboratoriais.

Bibliografia:
1.    Moskvin C. V., Atchilov A.A. Bases da terapia de Laser// “Triada”, 2008

 

Cistite Intersticial

Cistite intersticial é uma condição tratável mas essencialmente incurável que se manifesta por dor pélvica crônica e aumento da freqüência urinária que ocorre na ausênciade qualquer etiologia conhecida. Esta condição permanece um enigma no campo da urologia.

Ocorrendo predominantemente em mulheres, mas  em torno de 10 por cento dos casos são em  homens, a cistite intersticial é denominada por alguns como bexiga dolorosa e incluí um grande grupo de pacientes com dor na bexiga e uretra, necessidade de acordar a noite para urinar, necessidade de correr para o banheiro para urinar (Urgência miccional), necessidade de ir ao banheiro mais do que 8 vezes por dia, ardor para urinar e ausência de infecção urinária

 Estimativas de quantas pessoas apresentam esse problema são difíceis de serem realizadas, mas acredita-se que entre 250-500 mil pessoas sofram com esse tipo de problema nos Estados Unidos. A idade de início é  por volta de 40 anos. Os sintomas podem desaparecer totalmente por mais ou menos 8 meses e depois recorrerem.

Não se sabe ao certo o que leva uma pessoa a desenvolver CI. O que se concorda mundialmente é que ela é uma síndrome multifatorial. Atualmente, vários estudos sugerem que a CI é uma síndrome onde componentes neuronal, imune e endócrino apresentam um papel na ativação de células MAST (células que desencadeiam resposta inflamatória).

O diagnóstico adequado é peça chave para tratamento e orientação do paciente com bexiga dolorosa, por isso você deve procurar um especialista que esteja habituado a tratar esse tipo de problema.

O tratamento da CI consiste em aliviar os sintomas, não existem evidências de alguma forma de tratamento que pudesse curar essa condição. Por isso, para melhor resultado terapêutico, ambos o paciente e o médico devem entender que não existe uma cura certa ou uma simples forma de tratamento que resolva os sintomas de todos os pacientes. Geralmente várias drogas com variadas combinações são necessárias para se atingir um resultado satisfatório. Desta forma, encontrar a melhor opção terapêutica depende de uma boa relação do médico-paciente por meio de uma conversa clara e franca sobre a doença.